Subdiagnóstico ronda a síndrome mielodisplásica

Apesar do aumento do número de casos, a dificuldade diagnóstica mantém vários deles fora das estatísticas


A prevalência da síndrome mielodisplásica (SMD), um conjunto heterogêneo de doenças hematológicas malignas, vem aumentando devido ao envelhecimento da população mundial e ao maior índice de cura no tratamento de tumores sólidos, situação que favorece o aparecimento das SMDs secundárias à químio e/ou à radioterapia.

Além disso, a síndrome tem sido mais reconhecida por suas características peculiares, na medida em que os avanços no conhecimento permitem a identificação de subtipos mais bem definidos.

Entretanto, a expectativa que se tem é a de que muitos casos ainda permaneçam sem diagnóstico e, por conseguinte, não sejam computados nas estatísticas. Com isso, acredita-se que a incidência da SMD ultrapasse significativamente a hoje estimada nos EUA, de 3,3 casos para 100 mil habitantes/ano.

De fato, numerosos casos são detectados somente quando os pacientes, até então com manifestações frustras, pioram e passam a precisar de atenção pormenorizada. Por se tratar de doenças crônicas, indivíduos assintomáticos, mas com diagnóstico morfológico, ou mesmo sintomáticos, porém com anemia inespecífica e incompletamente diagnosticada, podem não ter seus dados inscritos num sistema centralizado até que o médico complete o estudo do sangue e da medula óssea.

O fato é que, por carência de diagnóstico preciso, vários casos não entram nas estatísticas. Além disso, o reconhecimento da doença fica ainda mais desafiador em algumas situações clínicas limítrofes, já que diversas condições podem apresentar características e sintomas semelhantes, tornando o diagnóstico diferencial extenso e, por vezes, complexo.

Como se não bastasse, muitas pessoas sucumbem às complicações advindas da neutropenia, da anemia, ou da trombocitopenia e, apenas nesse momento crítico, têm a investigação da doença feita. Apesar de a SMD ser amplamente reconhecida pelos hematologistas, grande parte do atendimento primário cabe a generalistas, que devem, a seguir, encaminhar os pacientes para um diagnóstico rápido e preciso.

Portanto, o conhecimento das características da SMD pelos profissionais que efetuam a atenção primária é imperiosos Adicionalmente, os registros nacionais de câncer ainda não selecionam especificamente esse conjunto de doenças. Eis um problema que deveria receber mais
atenção em nosso meio.    

Fonte: Boletim Científico Fleury- Medicina e Saúde
Foto: Dream Designs